terça-feira, 23 de junho de 2009

São João no Mato do Tição

Mato do Tição, também conhecida por Matição, é uma comunidade de negros, distante 4km da sede de Jaboticatubas. Ali impera uma tradição das mais antigas de nossa terra: O passar na fogueira de São João.
A festa se reveste de um ritual peculiaríssimo e que vem passando de geração a geração. Com a morte de João Pinto, a festa continua a ser organizada pela viúva, Divina de Siqueira.
A comemoração se realiza na noite de 23 para 24 de junho, quando se celebra o dia de São João. A programação tem pontos fixos e os horários costumam ser seguidos com rigor.
Às 22h30min, inicia-se a reza em homenagem a São João e em intenção dos donos da casa.
Às 23h30min, é levantado o mastro com a bandeira de São João. Este levantamento é feito ao som do “Candombe” que é uma dança de origem africana, onde é invocada a proteção do Santo e de Nossa Senhora. Todos dançam e cantam: homens, mulheres, crianças, jovens e velhos. Segundo os organizadores, as letras dos cantos são originadas do latim. O que se nota é que a letra, hoje, se tornou indecifrável, naturalmente pela percepção dos transmissores e receptores da tradição oral em sua simplicidade. Além da sua beleza rude e primitiva, as danças e os cânticos são acompanhados por instrumentos característicos. Usa-se o Tambú, a Caixa, o Guaiá e a Puíta. As evoluções são feitas através dos gingados do corpo, acompanhados pelo ritmo quente e místico da marcação.
À meia noite, vem a parte característica, curiosa e impressionante da manifestação. A fogueira é desfeita e as brasas vivas espalhadas pelo chão, formando uma esteira chamejante de vários metros de comprimento. Inicia-se o ritual, que antes de ser uma manifestação de exibicionismo, pretende ser uma manifestação de fé. Depois de se benzerem gritando “Viva São João”, passam sobre a passarela de brasas . Em seguida, passam os parentes, amigos e todos que se sentirem dispostos e com fé suficiente. Durante toda a passagem o “Candombe” continua com seus cantos e danças.
Depois que todos os corajosos passam, a brasa é novamente ajuntada e o “Candombe” dá lugar ao Batuque. O Batuque é também uma dança africana que difere do “Candombe” nos instrumentos e por ser uma dança de casais.


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



quinta-feira, 21 de maio de 2009



"viver é super difícil
o mais fundo
está sempre na superfície"

(Paulo Leminski)

domingo, 17 de maio de 2009

Saravá, aruê meu povo!



28ª Festa do Dia do Preto Velho

17 de maio, Belo Horizonte, MG


"Quando os caboclos trazem as folhas da jurema
E os pretos velhos trazem arruda e guiné

Eles vem trabalhar na lei de Umbanda
Tem licença de Aruanda
Pra salvar a quem tem fé."



 


 

 

 

 


 

 


 

 

 

 

 

 

 

quinta-feira, 14 de maio de 2009

pedido de adoção

 

“Estou com muita saudade
de ter mãe,
pele vincada,
cabelos para trás,
os dedos cheios de nós,
tão velha,
quase podendo ser a mãe de Deus- não fosse tão pecadora.
Mas esta velha sou eu,
minha mãe morreu moça,
os olhos cheios de brilho,
a cara cheia de susto.
Ó meu Deus, pensava
que só de crianças se falava:
as órfãs.”

(Adélia Prado)

terça-feira, 5 de maio de 2009

Festa de Santa Helena

A Festa de Santa Helena é a manifestação de fé mais forte realizada em Sete Lagoas. Durante oito dias o alto da serra, que recebe o mesmo nome da santa e também abriga a sua capela, recebe fieis de toda a cidade e também de municípios de outras regiões de Minas Gerais.


A liturgia da Igreja Católica ou as manifestações folclóricas promovidas pela guardas de Congo ou Moçambique evidenciam a fé e a tradição que são marcantes na festa que já se tornou centenária.


A procissão realizada sempre no primeiro sábado do mês de maio reúne milhares de fiéis que caminham por um percurso que vai da Catedral de Santo Antônio, centro de Sete Lagoas, até o alto da serra. Com o entorno da capela lotado são prestadas a homenagens a Santa Helena que é, simplesmente, um verdadeiro ícone da fé.



Sete Lagoast: www.setelagoas.com.brmais fotos da festa:  http://consueloabreu.multiply.com





 

 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

 

visto de vazios meu olhar
imagino paisagens cotidianas
cenas além das magras molduras
noites insones
amores férteis
propícios a floração
a leveza do tempo
o templo da pobreza essencial

enquadro alegorias plenas de fé
a fartura da existência de quem nada mais deseja

deposito no branco todas as imagens


João Evangelista Rodrigues