sexta-feira, 6 de janeiro de 2012


 




















XIII Encontro de Folias de Reis em BH

A Folia de Reis tem encontro marcado com seus devotos
e admiradores no dia 06 de janeiro, dia de Santos Reis. 
A partir das 17h30min, a Praça da Liberdade vai receber 
10 folias de reis, vindas de Curvelo, Lagoa Santa,
Santana do Pirapama, Mocambeiro, além das folias de 

Belo Horizonte: Folia de Dona Guidinha (Caiçara), 
bairro Sto André, bairro São José, bairro da Serra, 
bairro Londrina e do bairro Aparecida. Para completar a festa,
apresentação do grupo de viola Tabebuia.

O XIII Encontro de Folias de Reis em BH é uma realização 

do SESC-MG, contando com apoio da Belotur, Sala de Reis e 
Federação das Folias de Reisde Minas Gerais.

A realização do encontro na Praça, tem como finalidade de 

homenagear e reconhecer as tradições dos incansáveis foliões que,
apesar do pouco incentivo, fazem de tudo para mostrar que as Folias 
ainda permanecem vivasem Belo Horizonte no interior de Minas.

Pela praça passam, diariamente, pessoas de todos os cantos, 

de todas as crenças e nesse dia elas terão todo o envolvimento com 
os acordes, as cores e as informações sobre a importância dessa tradição.


domingo, 20 de novembro de 2011

Consciência Negra - 20 de novembro

Nosso grande medo não é o de que sejamos incapazes. Nosso maior medo é que sejamos poderosos além da medida. É nossa luz, não nossa escuridão, que mais nos amedronta.
Nos perguntamos: “Quem sou eu para ser brilhante, atraente, talentoso e incrível”?  Na verdade, quem é você para não ser tudo isso?  Bancar o pequeno não ajuda o mundo. Não há nada de brilhante em encolher-se para que as outras pessoas não se sintam inseguras em torno de você. 
E à medida que deixamos nossa própria luz brilhar, inconscientemente damos às outras pessoas permissão para fazer o mesmo”. 
(Discurso de posse, em 1994) Nelson Mandela






sexta-feira, 16 de setembro de 2011




“Poderá alguém algum dia saber,
Quantos talos existem em um arrozal?
Quantas curvas tem um rio?
Quantas camadas tem uma nuvem?
Alguém poderá varrer as folhas da floresta
E dizer ao vento para não mais sacudir as árvores?
Quantas folhas deve comer um bicho-da-seda
Para fazer um vestido com as cores do passado?
Quanta chuva deve cair do céu,
Antes do oceano transbordar em lágrimas?
Quantos anos a lua tem que ter,
Antes que envelheça?
No meio da noite, a lua
Vem e fica a espreitar
Ele que pode roubar meu coração...
Sempre cantarei,
Canções de alegria...”
 

(Antiga canção vietnamita, filme Três Estações)

sábado, 13 de agosto de 2011


AS MÃOS DE MEU PAI

As tuas mãos tem grossas veias como cordas azuis
sobre um fundo de manchas já de cor de terra

- como são belas as tuas mãos

pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram da

nobre cólera dos justos

Porque há nas tuas mãos, meu velho pai, essa beleza

que se chama simplesmente vida.

E, ao entardecer, quando elas repousam nos braços

da tua cadeira predileta,

uma luz parece vir de dentro delas...

Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente,

vieste alimentando na terrível solidão do mundo,

como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los

contra o vento?

Ah! Como os fizeste arder, fulgir, com o milagre das

tuas mãos!

E é, ainda, a vida que transfigura das tuas mãos nodosas...

essa chama de vida – que transcende a própria vida

...e que os Anjos, um dia, chamarão de alma.

Mario Quintana

sábado, 1 de janeiro de 2011

O sono do rio e o ano novo


A LIÇÃO DO SONO DO RIO

Meia-noite o rio dorme
Mais ou menos dois minutos

Pra nós é um tempo curto

Pra Uiara é um tempo enorme

(Uiara. Paulo César Pinheiro)


Me perguntaram hoje sobre minhas projeções e desejos para o ano que se aproxima. Não sou muito de projetar ou desejar as coisas, mas ando precisado de ouvir e contar mais histórias sobre o Brasil e nossa gente. Careço cada vez mais  de  estudar, ouvir, cantar e silenciar sobre o nosso povo, e apenas sobre ele. Me ocorre dizer também que, por tudo isso, quero aprender e exercitar em 2011 uma lição do Velho Chico, o rio nosso.


Contam os canoeiros do São Francisco que o rio, na hora grande da meia-noite, dorme durante dois minutos. É a hora em que a vida se assossega e o mundo se recolhe: as cachoeiras interrompem a queda, a correnteza cessa e até Paulo Afonso silencia. Os ribeirinhos aprendem desde cedo que não se deve acordar o rio durante o seu sono.

Nos dois minutos de sono do rio, os peixes se aquietam, as cobras perdem a peçonha e a mãe d´água se levanta para pentear os cabelos nas canoas. Os que morreram afogados saem do fundo das águas em direção às estrelas. Esse sono do rio não deve ser, de maneira alguma, interrompido, sob pena de endoidecer quem despertou as águas.

Ando matutando - como sujeito alumbrado que sou pelas brasilidades caboclas - a respeito do que os ribeirinhos ensinam sobre o descanso do rio e concluo que vez por outra é mesmo necessário adormecer no tempo e sossegar como as águas.

O ritmo da nossa sociedade - marcado pelo fascínio das máquinas, o ruído dos motores, a precisão dos relógios, a velocidade das informações simultâneas e a procura feérica da felicidade - acelera a vida e nos desacostuma dos homens. Tem lá seus benefícios (não sou, definitivamente, um saudosista) mas anda perto das desumanidades 

Por isso é preciso, vez por outra, adormecer feito o rio ao abandono das horas, se aluar em águas paradas e abandonar os desatinos da felicidade ( o brinquedo que não tem) .

O sono do São Francisco, o desapego dos peixes e o silêncio das cachoeiras me fazem crer que  a expectativa da felicidade, da forma como a sociedade de consumo lida com ela, é das coisas mais brutais que existem. O sujeito acha que tem que ser bem sucedido no amor, no trabalho e nas relações pessoais. Precisa viajar pelo menos duas vezes por ano, trocar de carro de quando em vez, não pode ficar doente e não pode conceber a morte. Acontece que não é assim que o rio segue seu curso e descansa no fim do dia.

Como ninguém é capaz de atingir essa tal felicidade de shopping center que é vendida por aí, formamos aos montes um bando de depressivos, uns sujeitos infantilizados que não conseguem lidar com o fracasso e se entopem de remédios para dormir, acordar, trabalhar, trepar... Parece paradoxal, mas é isso mesmo: a expectativa da felicidade é uma fonte poderosa de angústias e depressões.
 
Que os caboclos do Brasil, portanto, me iluminem no ano que virá para que eu respeite o sono do rio, o repouso dos peixes e o voo dos afogados. Que o país imaginado, e em mim recolhido, me ensine a viver na síncopa, no drible, na dobra do tambor, na oração dos romeiros, na dança lenta de Oxalufã, nas delicadezas do Reisado, nas rodas de cirandas, nas oferendas do Divino, na suavidade dos sons bonitos e na imponência calada das gameleiras.

Esse nosso mundo, de tão virtual, anda meio desvirtuado - e eu quero cada vez mais ter o tempo de adormecer o rio, aquietar os peixes, sossegar as cachoeiras, louvar meus ancestrais e me encantar com a Uiara a envaidecer canoas.