sexta-feira, 11 de setembro de 2009

névoa


"para além das palavras
descansam formas opacas
o sem discurso da pedra
das coisas insignificantes
o céu sobre árvores mudas
espanta pássaros em bandos
tudo de invisível existência
de névoa se banha
molha de solidão os olhos do mundo


o homem indefeso habita
a clareira do verbo"

(João Evangelista Rodrigues)
















segunda-feira, 7 de setembro de 2009

8 em 80

O Mercado Central de Belo Horizonte completa, em setembro de 2009, 80 anos de história. Em homenagem ao aniversário, os fotógrafos Ícaro Moreno, Gui Machala e André Tanure produziram um ensaio no qual oito importantes homens, símbolos de todos os trabalhadores, foram retratados em sua rotina. O ensaio capta a profissão de fé de cada um desses senhores que ajudaram a contruir esse rico patrimônio mineiro.
O ensaio “8 em 80” está em esposição durante o mes de setembro no Mercado Central/BH.
Veja também o site, com ensaio completo de cada personagem:
www.8em80.com
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Estive lá e gostei muito da proposta de “encontrar” as fotos suspensas nos corredores do mercado,
próximas às barracas de cada personagem. De repente, naquele redemoinho, eis que surge
uma imagem que nos obriga a parar, fixar os olhos no alto e, em seguida uma busca ao fotografado…
É inevitável. Todas puxam e nos remetem a uma história que a gente quer conhecer. Imperdível!
Parabéns aos três grandes amigos, profissionais de primeira que eu aplaudo de pé!
Alguns registros da abertura, hoje:

 

 

 

 

 

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

 

Lugar sem comportamento é o coração.
Ando em vias de ser compartilhado.
Ajeito as nuvens no olho.
A luz das horas me desproporciona.
Sou qualquer coisa judiada de ventos.
Meu fanal é um poente com andorinhas.
Desenvolvo meu ser até encostrar na pedra.
Repousa uma garoa sobre a noite.
Aceito no meu fado o escurecer.
No fim da treva uma coruja entrava.

Manoel de Barros
O Livro das Ignorãças

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Festa do Rosáro - Serro/MG


A principal manifestação folclórico-religiosa serrana, que está para completar 300 anos, pode ser apreciada por ocasião da Festa do Rosário, no primeiro final de semana de julho. É formada principalmente pelos grupos de Caboclos, Catopês, Marujos, pelo Reinado e pela "Caixa de Assovio". Retrata ricas tradições, conservando elementos das três principais raças que contribuíram para a formação do povo brasileiro e serrano. Este sincretismo não esconde, no entanto, a capacidade dos negros de continuarem cultuando suas tradições, através da incorporação da divindade dos brancos, a Nossa Senhora do Rosário.

No Reinado do Rosário, o Rei, a Rainha, os dois Juízes e as duas Juízas da festa, acompanhados do cortejo real (mucamas e cavalheiros), desfilam solenemente pelas ruas sob guarda-chuvas, o que segundo alguns, representam "reminiscências dos para-sóis como símbolos realengos entre os povos orientais, desde a remota Assíria".


 Os catopês (origem na palavra "candomblê") despertam a curiosidade por causa de suas vestes: são cobertos de plumas de emas, peito enfeitado com espelhos e colares, com capas multicores às costas. Tocam tambores, tamborins, xique-xiques e reco-recos. Atualmente, desfilam na festa dois grupos de catopês: o do Serro e o da localidade do Baú, do distrito de Milho Verde.
Já os marujos, se trajam de uniformes nas cores branca e azul e tocam violas, violões, cavaquinhos, bandolins, xique-xiques, pandeiros e caixas de couro.
E, finalmente, os caboclos, de flechas em punho, com capacetes e saiotes enfeitados com penas coloridas, pulseiras, colares, peseiras e pinturas no rosto.

 

 

 

 

 

 

 

 



Veja mais da festa no link
http://consueloabreu.multiply.com/photos

terça-feira, 23 de junho de 2009

São João no Mato do Tição

Mato do Tição, também conhecida por Matição, é uma comunidade de negros, distante 4km da sede de Jaboticatubas. Ali impera uma tradição das mais antigas de nossa terra: O passar na fogueira de São João.
A festa se reveste de um ritual peculiaríssimo e que vem passando de geração a geração. Com a morte de João Pinto, a festa continua a ser organizada pela viúva, Divina de Siqueira.
A comemoração se realiza na noite de 23 para 24 de junho, quando se celebra o dia de São João. A programação tem pontos fixos e os horários costumam ser seguidos com rigor.
Às 22h30min, inicia-se a reza em homenagem a São João e em intenção dos donos da casa.
Às 23h30min, é levantado o mastro com a bandeira de São João. Este levantamento é feito ao som do “Candombe” que é uma dança de origem africana, onde é invocada a proteção do Santo e de Nossa Senhora. Todos dançam e cantam: homens, mulheres, crianças, jovens e velhos. Segundo os organizadores, as letras dos cantos são originadas do latim. O que se nota é que a letra, hoje, se tornou indecifrável, naturalmente pela percepção dos transmissores e receptores da tradição oral em sua simplicidade. Além da sua beleza rude e primitiva, as danças e os cânticos são acompanhados por instrumentos característicos. Usa-se o Tambú, a Caixa, o Guaiá e a Puíta. As evoluções são feitas através dos gingados do corpo, acompanhados pelo ritmo quente e místico da marcação.
À meia noite, vem a parte característica, curiosa e impressionante da manifestação. A fogueira é desfeita e as brasas vivas espalhadas pelo chão, formando uma esteira chamejante de vários metros de comprimento. Inicia-se o ritual, que antes de ser uma manifestação de exibicionismo, pretende ser uma manifestação de fé. Depois de se benzerem gritando “Viva São João”, passam sobre a passarela de brasas . Em seguida, passam os parentes, amigos e todos que se sentirem dispostos e com fé suficiente. Durante toda a passagem o “Candombe” continua com seus cantos e danças.
Depois que todos os corajosos passam, a brasa é novamente ajuntada e o “Candombe” dá lugar ao Batuque. O Batuque é também uma dança africana que difere do “Candombe” nos instrumentos e por ser uma dança de casais.